ZANZIBAR

Jambo Karibu - bem-vindos em suaíli - é quase como um código para desligar do ritmo frenético do ocidente. A poucos quilómetros de Dar Es Salaam, encontra-se o arquipélago de Zanzibar. Aqui transpira a tranquilidade africana e transporta-nos para uma realidade onde o stress não existe. Por lá é usual usar a expressão Hakuna Matata, que é como quem diz sem problema ou com calma, ora calma é aquilo que esta deslumbrante ilha pertencente à Tanzânia nos obriga forçosamente a ter. 

Stone Town

Stone Town é a única cidade de Zanzibar. A ilha foi dominada por vários povos ao longo dos séculos, entre eles Portugal, Omã e Grã-Bretanha. Isso deixou uma mistura cultural e arquitectónica que se encontra nas ruelas da cidade.


Em Março quando visitei Zanzibar os efeitos da pandemia que assolava o mundo eram quase inexistentes, segundo eles não haviam casos há mais de 6 meses. Completamente o oposto que acontecia na Europa nessa altura e um pouco por todo o mundo. Apesar disso alguns dos locais estavam fechados ou limitados, como era o caso do museu do Freddy Mercury ou o Slave Market. Acabei por apenas fazer uma pequena passagem pelo mercado da cidade e deixando as mesquitas e os bazares fora do roteiro. 

Perder-se nas ruelas cruzadas no mercado de Stone Town é fácil. O mercado tem um movimento impressionante, o aglomerado de pessoas fazia crer que não existia realmente uma pandemia. A tamanha confusão do mercado fez-me sorrir, passando um bocadinho a redundância é quase como uma feira em Portugal, toda a gente tem bancas com algo para te vender, mas ao contrário de Portugal, por aqui quase nada está organizado. Podes procurar comprar de tudo por aqui, na realidade as bancas vão da venda de carne e peixe a relógios e jóias.

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Norte

A ilha não é particularmente grande, mas é no norte que se encontram as melhores praias e também mais locais de lazer e diversão. Eu fiquei hospedado na zona sul da ilha numa simpática aldeia chamada: Kizimkazi.

 

O norte encontra-se a de 100 quilómetros desta zona e por isso reservei um dia para conhecer com um guia. Fica desde já uma dica: negoceiem com os guias, eles têm os preços predefinidos inflacionados, mas aceitam baixar para mais de metade para conseguir um cliente fixo para toda a semana, foi o meu caso.


Na companhia do simpático Raphael segui viagem para norte para descobrir as praias mais conhecidas de Zanzibar, durante a viagem passamos pelo interior e conhecemos a realidade longe dos postais que fazem da Ilha Africana um dos destinos mais populares de praia a nível mundial


Naquilo que para os ocidentais é pobreza, aqui é riqueza, a forma intensa como aproveitam cada dia sem stress faz-me sempre reflectir sobre quem está certo ou errado na forma de viver. Na realidade acho que ninguém está certo ou errado, mas tenho a certeza que aqueles sorrisos infindáveis enquanto dançam nas ruas ou jogam à bola em campos de terra com balizas improvisadas são a felicidade em forma genuína! Viver não devia ser isso?

Chegando a Nungwi, a zona mais turística do Norte encontras a multidão. Aqui o turismo em massa está bem expresso ao contrário do Sul ou do interior onde praticamente só encontras os locais.

De facto não há dúvidas, Nungwi é uma zona de praia lindíssima, as águas azul-turquesa são um regalo para os olhos dos turistas e para quem, como eu gosta de nadar, toda a faixa litoral que vai de Nungwi a Kendwa é uma maravilha. Aqui o mar praticamente não tem ondas, ao contrário das praias da costa leste como Jambiani ou Paje, mais propícias a forte ondulação e que fazem a delícias dos amantes dos desportos radicais.

Aqui há uma predominância de turistas italianos e russos, ao ponto de muitos guias saberem falar ambas as línguas na perfeição.
Passeando pelo longo areal encontras vários tipos de alojamentos, de resorts a hostels, existem opções para todo o tipo de carteiras. Também não faltam restaurantes, a maioria em frente à praia com uma vista que torna a comida, que já é fabulosa, ainda mais saborosa.

Caminhando pelo areal encontrei os estaleiros onde se constroem os famosos Dhow. Os Dhow são os barcos tradicionais de Zanzibar, construídos de forma cuidadosa e trabalhada unicamente à mão.
Era hora de seguir para Kendwa.

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Chegando a Kendwa encontro um areal em forma côncava com um plano de fundo azul-turquesa de cortar a respiração. Situado numa pequena baía, a praia de Kendwa é para muitas pessoas a mais bonita do arquipélago e eu incluo-me nessa lista de pessoas.

Se Nungwi é uma zona fortemente procurada por turistas Kendwa ainda mais, a diferença é o tipo de turista. Ao contrário de Nungwi onde se encontra viajantes que procuram explorar e conhecer a essência de Zanzibar por aqui praticamente só se encontra o típico turista de férias. Nada contra claro, cada um viaja da forma que entende.

É uma zona de resorts onde, ao contrário de Nungwi, é praticamente inexistente o comércio tradicional. A praia de Kendwa é boa para tomar um banho, apanhar sol e repousar na toalha.


Apesar da proximidade com Nungwi, estão separadas por 4/5 quilómetros, parecem de zonas praticamente distintas. Vale pela sua beleza, mas o ambiente não é aquele que mais aprecio, falta o clima de festa e alegria contagiante da restante ilha. Para quem procura o descanso e pacatez, é um sítio perfeito.

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Litoral

No litoral encontram-se muitas praias que fazem as delícias aos turista, sobretudo dos amantes dos desportos radicais. Pingwe, Paje ou Jambiani são apenas algumas delas.

Comecei por Pingwe por que é lá que se encontra o famoso e pitoresco restaurante The Rock. Como o próprio nome indica o The Rock é situado numa rocha dentro do mar. Não tive a sorte que a maré estivesse alta, pois, diz quem conhece, que o local cercado de água por todos os lados fica ainda mais deslumbrante, todavia percebe-se a fama do local.
A vista é maravilhosa e a comida ainda mais. É preciso reservar com antecedência pois o local é pequeno e a procura é imensa.

Antes do almoço percorri a praia de Pingwe, não fica no top 5 das mais bonitas, mas a simpatia dos locais e a empatia que tivemos com as crianças, fez valer cada segundo ali passado.
O simples momento passado com aquelas crianças a comer fruta e a brincar na água salgada juntos é aquilo que para mim torna viajar para estes locais uma experiencia de inestimável valor.

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Depois do almoço segui para sul até à praia de Paje, procurada praticamente em exclusivo pelos amantes dos desportos radicais, sobretudo de Kite-surf.
 

O longo areal mistura na sua panorâmica os já referidos surfistas, os barcos de pesca, as mulheres que cultivam as algas e ainda os Maasai. Há ainda tempo para ver uma manada de vacas percorrer o areal de um lado ao outro.

Sobre os Maasai, eles estão presentes em todas as praias, mas é por aqui que mais se encontram. Originários da região de Arusha, os Maasai vêm para Zanzibar temporariamente nos meses de maior turismo com o propósito de trabalhar como seguranças nos hotéis ou vender artesanato aos turistas.
São muito divertidos, respeitosos e excelentes conversadores.

 

Conversar com eles é uma óptima forma de saber mais sobre a sua história do povo e do seu propósito de vida. Conversar com os Maasai não é tempo perdido, muito pelo contrário assim como comprar o seu artesanato também não é dinheiro mal gasto. O artesanato é uma das maiores fontes de rendimento deste povo tão interessante e esta é uma forma de os ajudar.

 

Em Paje há ainda uma zona com comércio local, onde encontra artesanato local e ainda obras de artistas locais.
Gostava ainda de ter ido a Jambiani, mas a tarde em Paje passou a correr e acabei por não fazer esse passeio a pé pela praia que tanto aconselham.

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Sul

Se é verdade que no Norte e no Litoral se encontram as melhores praias, também é verdade que na zona sul, particularmente na aldeia Kizimkazi é onde se encontra de forma mais genuína a essência do que é o povo de Zanzibar.


O meu guia Raphael levou-me a conhecer a sua família que ali habitava e ainda me permitiu assistir a uma festa de casamento muçulmana, onde fui convidado a dançar com os locais. Durante momentos esqueci a pandemia e aceitei o convite. É mais um daqueles momentos que fazem valer cada viagem que faço.

Na pequena aldeia de Kizimkazi encontra-se a mais antiga Mesquita do continente africano, motivo de orgulho da população, ainda que nem toda seja muçulmana. Além disso encontras as casas típicas, pequenas barracas de comércio local e os homens construindo os seus barcos Dhow e crianças brincando felizes junto ao mar.

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As praias não são como as do Norte como já referi, ainda assim a água tem aqueles tons únicos de deixar qualquer um encantado. Esta é ainda a zona onde saem os tours para o famoso Safari Blue e eu não podia deixar de tirar um dia para fazer este tour.
 

No meu último dia em Zanzibar parti bem cedo, os locais que me acompanhavam levavam várias arcas frigoríficas como quem vai para um piquenique. Fruta, bebidas e peixe fresco é o que têm para nos oferecer e acreditem é tudo delicioso.

Uma paragem para ver as estrelas marinhas e outra para fazer snorkeling numa zona de corais lindíssimos antes de chegar a um areal no meio do mar que aparece e desaparece consoante a maré. O nosso barco foi o primeiro a lá chegar e durante vários minutos tive o areal só para mim.

 

Esse areal é o ex-líbris do Safari Blue, por lá aproveita-se para ir a banhos enquanto os guias preparam uma tenda coberta pois o calor é quase insuportável e começam a grelhar a comida. Com o passar do tempo começam a chegar mais barcos e o cheirinho a comida torna-se irresistível. Mais um mergulho na companhia de uma bela cerveja gelada e é hora de degustar aqueles petiscos.
 

O resto do dia é passado no mar a visitar pequenos ilhéus, a fazer snorkeling e nadar com os golfinhos se tiver a sorte que eles apareçam, não foi o meu caso.
 

Um dia em cheio que terminou num pôr-do-sol de cortar a respiração mais uma vez acompanhado de uma cerveja gelada já em forma de despedida do paraíso que é Zanzibar!

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